Usando um conhecido material, o fosfato ferroso de lítio, os engenheiros do MIT criaram uma espécie de “rodoanel” que permite o rápido trânsito de íons através dos "caminhos preferenciais", semelhante ao que acontece em filtros de areia, porém em escala molecular. Praticamente tão rápido quanto um capacitor. Uma bateria para carro poderia ser totalmente carregada em meros 5 minutos. Fonte da notícia

Cálculos mostraram que os íons de lítio podem realmente se mover muito rápido pelo material, mas somente através de túneis acessíveis a partir da superfície. Se os íons de lítio na superfície estiverem diretamente na frente da entrada de um túnel, não há problema: eles continuam eficientemente túnel adentro. Mas se os íons não estiverem diretamente na frente, ele é impedido de alcançar a entrada porque ele não consegue se mover.
O trabalho, liderado por Gerbrand Ceder, o professor Richard P. Simmons de Ciências e Engenharia de Materiais, é relatado na edição de 12 de março da Nature. Uma vez que o material envolvido não é novo — os pesquisadores simplesmente mudaram a maneira de fabricá-lo — Ceder acredita que o trabalho possa estar disponível comercialmente dentro de dois ou três anos.
Ceder e Byoungwoo Kang, um estudante de pós-graduação em ciências e engenharia dos materiais, criaram uma maneira de driblar o problema, criando uma nova estrutura para a superfície que permite que os íons de lítio se movam rapidamente pelo entorno do material, de forma muito parecida com um rodoanel que circunda uma cidade. Quando um íon que viaja por esse rodoanel, encontra um túnel e instantaneamente o utiliza. Kang é um co-autor do artigo da Nature.
Eles melhorarm o design de uma bateria de nano-esferas, onde o cátodo é composto de esferas nano-métricas de fostato férrico de lítio. A medida que a bateria se carrega, as nano-esferas liberam os íons de lítio para transitar pelo eletrólito até o ânodo. Quando a bateria se descarrega, naturalmente ocorre o oposto, os íons de lítio são absorvidos pelas nan-esferas no cátodo. Óbvio, como em qualquer bateria! Porém é esta camada de fosfato de lítio sobre as nano-esferas que fazem com que os íons se destaquem muito mais rapidamente.
Isto auxiliará no desenvolvimento de baterias muito menores e mais leves — para telefones celulares, carros elétricos, laptops e outros dispositivos — que podem ser recarregadas em segundos, em lugar de horas.
As baterias recarregáveis de lítio, mesmo as mais avançadas, em "estado-da-arte" têm densidades de energia muito altas — elas são boas para armazenar grandes quantidades de carga. Em compensação elas têm taxas de transferência de energia muito lentas — elas acumulam e descarregam essa energia de forma muito lenta.
Consideremos as atuais baterias para carros elétricos: “Elas têm um monte de energia, de forma que se pode dirigir a 80 km/h por um longo período, mas a energia é baixa. Não se pode acelerar muito rapidamente”, explica Ceder.
Por que as taxas de transferência tão lentas? Tradicionalmente, os cientistas pensavam que os íons de lítio que, junto com os elétrons, são os responsáveis por levar a carga através da bateria, simplesmente se movessem muito lentamente através do material.
Há cerca de cinco anos, entretanto, Ceder e seus colegas fez uma descoberta surpreendente. Cálculos feitos por computador de um material para baterias bem conhecido, fosfato férrico de lítio, prediziam que os íons de lítio do material deveriam estar se movendo de maneira extremamente veloz.
“Se o transporte dos íons de lítio era tão veloz, algo diferente deveria ser o problema”, prossegue Ceder.
Empregando sua nova técnica de processamento, os dois fizeram uma pequena bateria que pode ser totalmente carregada ou descarregada em 10 a 20 segundos (leva seis minutos para carregar ou descarregar totalmente uma célula feita de material não processado).
Ceder observa que testes suplementares mostraram que, diferentemente de outros materiais para baterias, o novo material não se degrada muito quando repetidamente carregado e recarregado. Isso pode levar a baterias menores e mais leves, porque menos material é necessário para obter os mesmos resultados.
“A capacidade para carregar e descarregar baterias em questão de segundos, em lugar de horas, pode abrir novas aplicações tecnológicas e induzir novas mudanças no estilo de vida”, concluem Ceder e Kang em seu artigo na Nature.
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